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CIRCUITO 1: CONDEIXA - CONIMBRIGA
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 Mapa
 Visita Virtual
  • Conimbriga. Vista do Forum
  • Conimbriga. Vistas das ruinas
     A sede de Concelho
    Esta unidade centra-se no que foi a cidade romana de Conimbriga e nas terras que mais directamente lhe estiveram ligadas, hoje pertencentes ao concelho de Condeixa-a-Nova.

    Julga-se que os frades de Santa Cruz terão fundado a nova Condeixa, quando D. Afonso Henriques lhes doou estas terras. No séc. XIII, era ainda minúsculo lugar situado onde actualmente se encontra a entrada norte da vila.

    D. Manuel I concedeu-lhe foral e a renovação da igreja de Santa Cristina em cuja torre mandou que se incluíssem as inscrições romanas então encontradas em Conimbriga.

    Foi crescendo a povoação, vindo a incorporar os vizinhos lugares do Outeiro, da Lapa e de Condessinha e enchendo-se de palácios, solares e quintas.

    Curiosamente, manteve-se na condição de freguesia de Coimbra até 1838, ano em que foi elevada a concelho, adquirindo a categoria de vila apenas sete anos mais tarde.

    O príncipe alemão Lichnowsky ao visitá-la, por essa altura, considerou-a “um cesto de flores”, por ser “uma apreciável vila cercada de loureiros e jardins”.

    Todavia, a 3ª invasão francesa já lhe havia causado danos irreparáveis. Outras vicissitudes, menores e mais recentes, conduziram a novas perdas, privando Condeixa de alguns valores arquitectónicos que eram parte integrante da sua história e do seu encanto.

    Actualmente, o concelho regista uma tendência para o aumento da população, com 15.337 habitantes (censo de 2001). Apesar de funcionar como um dos dormitórios de Coimbra, a vila apresenta uma dinâmica muito própria, com funções ligadas não só a comércio e serviços, característicos de uma sede de concelho, mas também à pequena indústria, sobretudo de produtos alimentares e cerâmica, com particular relevo para as decorativas inspiradas nas faianças dos séculos XVII e XVIII.

    A Casa Museu Fernando Namora, guarda, não apenas os objectos pesssoais do médico e escritor, mas também a sua obra de pintura. Trata-se de um conjunto de quadros a óleo, de estilo expressionista, que de forma simbólica evocam as paisagens da sua "Nave de Pedra" e dos campos da Beira Baixa, imagens de aldeias de montanha mas também sinais dos labirintos urbanos, e da presença-ausência do homem. Nela se encontra também uma das mais importantes colecções regionais de arte portuguesa contemporânea, resultado do convívio e da oferta de autores como Júlio Pomar e Lima de Freitas, Dias Coelho ou o moçambicano Malangatana.

    A Pousada de Santa Cristina, é um hotel de referência instalado num antigo solar e rodeado por um belo jardim.

    Graças à leveza do solo tufoso e a abundância de água, nas imediações da vila pratica-se uma agricultura de algum relevo, produzindo-se aqui, tal como nos vizinhos campos de Cernache, muitos produtos hortícolas que fornecem, quotidianamente, os mercados de Coimbra. Sobre as praças e entre as fundações das residências correm as águas nascidas em Alcabideque, com ribeiras, fontes, canais e restos de velhos moinhos apontuar a original paisagem urbana, onde avultam os solares oitocentistas, como o Palácio Lemos-Sotto Mayor, actual Câmara Municipal.

    De qualquer modo, a proximidade da cidade de Coimbra acaba por condicionar fortemente as actividades da população e, dos seis concelhos que integram o maciço de Sicó. Condeixa é aquele que apresenta menor percentagem de população a trabalhar no sector primário (apenas 12%) e maior a dedicar-se a actividades do sector terciário (comércio e serviços:53%).

    Locais de interesse: Igreja de Santa Cristina, Capela de Nossa Senhora da Piedade, Casa - Museu Fernando Namora, Palácio Lemos - Sotto Mayor, Casa dos Figueiredos, Quinta do Hospício, Mãe d'Água de Alcabideque.

    Festas: Passos: 3º Domingo da Quaresma; Santa Cristina: 24 de Julho.

    Mercado Semanal:3ª e 6ª feira.

     Visita virtual
  • Conimbriga: Vista das Termas
  • Conimbriga: Vista do Interior das Termas
     A Plataforma de Condeixa
    A topografia da área de Condeixa - Conimbriga é caracterizada, fundamentalmente, pelo predomínio das superfícies planas. Tanto a vila actual como a cidade romana situam-se numa vasta e muito regular plataforma que se desenvolve a cotas de aproximadamente 100 metros, encontrando paralelo, mais a norte, nos pequenos planaltos de Eira Pedrinha e Cernache. Esta superfície relaciona-se com um processo particular de deposição de tufos calcários ocorrido já durante o período Quaternário, em função das exsurgências cársicas que drenam as águas subterrâneas do sector setentrional do Maciço de Sicó.

    São de vários tipos e diferentes espessuras, estes tufos. No entanto, nalguns casos, como acontece por exemplo nas imediações de Conimbriga e Condeixa-a-Velha, trata-se de espessas camadas de duros travertinos, recentemente explorados como rochas ornamentais e que, até aos anos sessenta, permitiram a sucessivas gerações viver do talhe de mós para moinhos.

    Se o interesse económico dos tufos calcários de Condeixa é hoje muito restrito, o mesmo não se poderá dizer do seu interesse científico. Com efeito, estas rochas, formadas no mais recente período da história geológica da Terra, encerram importantíssimos vestígios paleontólogos como os restos de Hippoppotamus Major e Elephas Antiquus – encontrados pelo geólogo suíço P. Choffat nos finais do século passado – capazes de ajudar a compreender a evolução de paisagens e ambientes aqui ocorrida no último meio milhão de anos.

     A mata da Bufarda
    Originalmente, esta mata terá sido uma floresta de carvalhos onde dominava o carvalho-cerquinho associado à azinheira e ao sobreiro.

    No substrato arbustivo, observam-se ainda muitas espécies de características mediterrânicas, entre as quais o medronheiro, o sanguinho-das-sebes, a madressiva-caprina, o zambujeiro e a legação. No estrato herbáceo, são de salientar as que surgem associadas ao microclima relativamente fresco, proporcionado pelas espécies de maior porte, como o jarro e as candeias. De assinalar também a presença da espécie Hyacinthoides bispanica, uma planta característica dos matos de quercíneas ou dos matos portugueses em geral.

    Tal como sucedeu noutras regiões, a actividade humana degradou a mata em todos os tempos, sobretudo a partir da ocupação romana que lhe provocou sistemáticos cortes de carvalhos para lenha e madeira de construção.

    O cultivo da oliveira e, mais tarde, a expansão do pinhal são grandes responsáveis pelo estado em que se encontra. Com efeito, o pinheiro provocou a acidificação do solo permitindo o desenvolvimento de vegetação arbustiva e subarbustiva, estranha às zonas calcárias, tal como o tojo, as urzes, o tojo-molar e a torga. Outros factores degradantes, mais recentes, são o eucalipto e o cipreste, pontualmente registados.

    A estrada de Tomar, fragmentando-a, a produção de cal e a exploração de saibro, foram igualmente causas de profunda perturbação.

    Contudo, embora degradada, a mata da Bufarda ainda conserva numerosas espécies características da floresta mediterrânica. Nas zonas superiores, devido particularmente ao corte de exemplares mais frondosos do carvalho-cerquinho, verifica-se o aparecimento de grandes clareiras ocupadas por matos de carrasco e medronheiro, tão densos que se torna difícil caminhar pelo interior do mato. Um património valioso a que urge acudir.

     O “canhão” do Rio dos Mouros
    A jusante da povoação do Poço e até ao sector mais ocidental da plataforma de Conimbriga, o rio dos Mouros atravessa o afloramento calcário do Jurássico médio, onde escava um pequeno mas imponente canhão fluviocársico. Com cerca de 3,5 km de extensão, as vertentes abruptas do vale chegam a atingir, no sector de jusante, alturas da ordem dos 50 metros.

    As águas, vindas do sector de montante do rio ou nascidas nas várias exsurgências que se escalonam no fundo do canhão, apenas durante a época pluviosa o percorrem. No entanto, graças aos declives acentuados, ele pode tornar-se fortemente violento, correndo encaxoeirado entre pedregulhos calcários, transpondo pequenas cascatas e escavando as típicas marmitas de gigante que ornamentam o fundo do leito.

    Aumentando a espectacularidade das íngremes vertentes do canhão, escavadas tanto nos calcários jurássicos, como nos tufos quaternários que os encimam, podem encontrar-se pequenas lapas e abrigos sob rocha.

    São cerca de duas dezenas as cavidades que se abrem, quer ao longo do canhão do rio dos Mouros quer nas vertentes de outro mais pequeno que, a norte, ajuda a isolar Conimbriga. Estas cavidades têm todas reduzidas dimensões, atingindo-se o máximo de 39 metros de desenvolvimento horizontal na gruta chamada “Igreja dos Mouros”.

    Nas margens pedregosas, relativamente húmidas e frescas, predominam as lianas, tais como a silva, a roseira-brava, a madressilva - caprina, a pervinca, a hera, a norça-preta e a legação.

    Mas este habitat é também favorável as candeias e aos jarros, característicos destas formações, bem como aos fetos e as orquidáceas. Assim, é fácil encontrar a avenca-negra, o polipódio e a erva-abelha.

    A garantir a sombra necessária, estão bem desenvolvidos arbustos e árvores de características mediterrânicas, entre os quais as figueiras que surgem espontâneas, mesmo em pleno leito do rio.

    Quando a água das chuvas começa a esvair-se das encostas por este leito, surgem formas de vida até então ocultas, refugiadas que estavam das altas temperaturas e das limitações da secura: o coaxar da rã-verde ecoa pelos vales, a salamandra progride lentamente sobre a matéria vegetal e o tritão-marmorado a tudo se agarra, no fundo do rio, evitando ser arrastado. Estes, entre outros, voltam a ser os habitantes dos locais húmidos cumprindo o ritual biológico que lhes perpetua a sobrevivência, numa permanente luta de adaptação a um meio que, em grande parte do ano, lhes é adverso.

    Nos céus, a aparição da Águia-de-Bonelli é agora um privilégio raro, apenas o Milhafre Negro regressa todos os anos à Bacia do Mondego. Exímia planadora, caçadora dos ecossistemas mediterrânicos onde se move em patrulha constante, ao longo das encostas, aquela rapina escolhe, principalmente, as escarpas fluviais e de montanha para instalar o seu local de repouso e nidificação. O que resta aqui do seu último ninho resiste ao abandono, na esperança de um regresso adiado ano após ano.

    No passado, era frequente ver a belíssima silhueta desta rainha dos ares impor, do alto da sua pirâmide trófica, a vassalagem que se encarregava de cobrar a outras aves e pequenos mamíferos. Fugindo a mira das armas dos caçadores ou em busca de presas, cada vez mais raras pela perseguição que lhes é movida pelo homem, a única estratégia de sobrevivência foi migrar para outros reinos.

    Legação

    Erva - abelha

     Aldeias e sítios

    Condeixa-a-Velha é uma aldeia em grande expansão e sede de extensíssima freguesia, com 2382 habitantes em 1991.

    Aparece designada com o nome actual a partir do séc. XIII mas, em documento datado do séc. XI, já Condeixa é mencionada, embora no mesmo século se registem as formas Condexa e Condexe, aparentemente mais próximas do nome que está, para alguns, na sua origem: Condessa; título de donna Onega citada no Livro de Testamentos de Lorvão como senhora de Villa Cova, que assim se chamaria a aldeia no séc. X.

    Por certo, temos que ela tem suas raízes bem longe no tempo, quando – desmantelada a cidade de Conimbriga – do planalto se retiraram todos os que tinham posses para buscar lugares de mais conforto e segurança. Naquela cova abrigada dos ventos e servida por pequena exsurgência de água, recolheram-se os que ficaram, de minguados haveres. As ruínas do anfiteatro romano que ali se erguera, serviram a uns de abrigo, a outros de pedreira. Em qualquer caso, o velho edifício marcou a distribuição das novas casas e arruamentos, enquanto as galerias de acesso, pelo poente, se conservaram em grande parte descobertas, participantes seculares do quotidiano da aldeia. Nos próximos anos, ali será instalado um novo núcleo museológico.

    Na parte alta, por onde se estendia o cemitério no séc. VI, veio a erguer-se a matriz. Citada já no séc. XIII, sabemos que veio a reconstruir-se e dotar-se de boas alfaias no séc. XVI, a arruinar-se por obra das hordas francesas, a sofrer novos e, por vezes, desconcertados restauros em época mais recente.

    Dotada de boas terras de cultura, Condeixa-a-Velha foi sempre essencialmente agrícola, embora uma parte considerável dos seus habitantes tenha, ao longo de séculos, vivido da exploração de pedra local.

    A produção de mós constituiu, até meados do séc. XX, uma actividade regular, prestigiante e com algum peso económico. Pelos mesmos anos encerrou o fabrico de cal na mata da Bufarda onde sobrevivem vestígios de dois fornos cuja data inicial ainda não foi possível precisar.

    De longa data e mantendo significativa expressão nos dias de hoje, é a exploração da pedra da Ameixeira e a arte a que dá lugar. Com efeito, são ainda muitos os artistas de Condeixa-a-Velha que, por todo o país, embelezam ruas, praças e jardins com suas calçadas.

    Alcabideque significa mãe-d’água. Este nome arabizado tem raiz latina - caput aquae - e guarda memória do que tornou o local tão importante em tempos romanos quanto é nos dias de hoje. De facto, situa-se aqui a maior e mais conhecida das exsurgências que drenam os calcários  diplomíticos e dolomias, conhecidos pela designação geral de Camadas de Coimbra.

    Grande parte da sua importância advém-lhe de ser, pelo menos parcialmente, filtrante, de águas límpidas e brotar todo o ano, ainda que apresente variações sensíveis de caudal.

    Estima-se em cerca de 10 milhões de metros cúbicos o seu caudal médio anual, registando caudais instantâneos que podem ir dos 50 litros por segundo, nos períodos de estiagem mais prolongada, até cerca de 900, após as grandes chuvadas de inverno.

    Ciosos de conforto e empenhados na saúde pública, ao transformar o povoado de Conimbriga em cidade, os romanos construíram um aqueduto com mais de 3 kms que levava diariamente 19 000 m3 de água aos balneários públicos, as casas e as fontes.

    Para a época, era um pequeno aqueduto, mas impressiona pela capacidade técnica que revela. Grande parte do seu percurso é subterrâneo, descendo a 7 m de profundidade na mata da Bufarda; no entanto, apresenta excelentes trechos aéreos ao aproximar-se da cidade.

    Em Alcabideque, a bacia e torre de captação ainda merecem visita, aliás, também justificada pela beleza do agro imenso, trabalhado como um jardim, que deste lugar se estende até Condeixa e Eira Pedrinha num impressionante contraste com a severidade das serras.

    Apesar de estar a converter-se em prolongamento da vila, num estranho urbanismo que planta prédios de apartamentos a borda de mimosos alfobres, a Eira Pedrinha é um lugar encantador.

    O núcleo antigo da aldeia e as suas pedreiras abertas no tufo formam verdadeira cascata, banhada de sol mas onde a água é farta e não faltam sombras frescas e numerosas nogueiras. De manhã ao pôr-do-sol quem passa na antiga estrada real tem lição de agricultura, pois o delicado amanho dos viveiros de plantas hortícolas é faina sem tréguas. Provavelmente há muitos séculos, pois Eira Pedrinha já é referida no séc. XII e chegou a ser concelho. Recuando nos tempos, os testemunhos arqueológicos dizem-na habitada durante o período suevo-visigótico, a época romana e a Pré-história recente, quando as suas grutas e lapas foram usadas como abrigo natural. A capelinha de Nossa Senhora da Piedade compensa visita.

    O Sítio de Conimbriga corresponde actualmente a uma área consagrada como monumento nacional e definida por decreto em 1910.Visou a disposição legal proteger as ruínas e demais vestígios resultantes das ocupações humanas que, na Antiguidade, aqui tiveram assento.

    Embora houvesse condições naturais para fixar população em época mais recuada, datam da segunda Idade do Bronze os objectos mais antigos identificados. Do povoado contemporâneo, nada se conhece, mas mergulha certamente nesses tempos a raiz do nome CONIMBRIGA. K°n seria o radical que apelidava o lugar, descrevendo-o como “alto pedregoso”.

    Os invasores celtas que mais tarde se fixaram aqui, juntaram-lhe outro nome: Briga que significava povoado “num alto”ou “fortificado”, o que vulgarmente se designa por castro.

    A Conimbriga celtizada ocupou praticamente todo o planalto, numa organização do espaço, quase urbana, de que já se conhecem alguns eixos e casas dos séculos mais tardios.

    Ao apoderarem-se do oppidum, nome que davam a estas povoações fortificadas, os romanos fizeram dele, nos finais do séc. I a.C.,uma verdadeira cidade, não mais contida nos limites apertados do triângulo planáltico, mas espraiada para norte e leste até a baliza traçada pelo pequeno canhão flúvio-cársico que por esse lado corre e que uma muralha iria sublinhar.

    As vicissitudes impostas pelos povos germânicos ao império romano tiveram como principal reflexo em Conimbriga, a redução, no séc. IV, do perímetro da cidade. Repunham-se os antigos limites planálticos, buscando apoio na defesa natural que as suas escarpas ofereciam.

    Sobre elas, reforçaram-se as muralhas e fechou-se a entrada, a leste, com uma poderosa fortificação. Fora, tudo foi destruído ou desorganizado: as residências, os comércios, o anfiteatro, o próprio cemitério. Dentro, recompôs-se a vida, numa urbe empobrecida mas, ainda assim importante, adaptada aos novos tempos marcados pelo cristianismo e pela insegurança política e social.

    Um século após os assaltos que, em 468,a fizeram cativa as mãos de suevos, pilhada, incendiada, Conimbriga era ainda sede de bispado. Porém, a escassez de água devida aos danos que os invasores tinham provocado no aqueduto e a retirada do bispo, alguns anos mais tarde, provocou o abandono que lentamente foi esvaziando a cidade de sentido. Sobrevieram as ruínas e, ao lado, surgiu como dissemos uma aldeia.

    Campanário de Condeixa-a-Velha

    Aqueduto

    Muralha do Baixo-Império

     O Museu Monográfico de Conimbriga
     

    Actualmente dependente da Cultura, o museu esteve de início ligado a Educação.

    Foi inaugurado em 1962 para assegurar a defesa e preservação do sítio arqueológico, desenvolver a sua investigação e divulgá-lo.

    Nesse sentido, dispõe de um quadro de pessoal e instalações técnicas e de acolhimento que lhe permitem manter as ruínas e a exposição permanente das colecções abertas ao público durante todo o ano. Mas também importantes oficinas e laboratórios de restauro e conservação, que têm dissiminado a sua tecnociência por todo o país e são internacionalmente reconhecidos. Uma biblioteca especializada na romanização,  um moderno auditório e um belo pátio interior porticado, com  jardim romano e estruturas de apoio às exposições temporárias e à animação, uma loja com reproduções e materiais de divulgação, completam a oferta cultural do museu, apoiado pela sua Liga de Amigos.

    No Restaurante, recentemente renovado e aberto para a paisagem da velha cidade e o Rio dos Mouros, serve-se, dia e noite, a Ementa de Sicó e a Ementa Clássica inspirada nas tradições romanas. E acolhem-se grandes grupos, festas e celebrações familiares.

    Famosa pela sua dimensão e enquadramento paisagístico mas, sobretudo, pelo número e qualidade dos mosaicos que conserva, Conimbriga atrai um vasto e diversificado público. Na última década, o museu registou uma média de visitantes de de 150 000, sendo um terço alunos de escolas primárias e secundárias, e os outros terços repartidos entre visitantes nacionais e estrangeiros.

    O Museu  é um dos pólos do Circuito da Romanização, que liga a urbe romana ao seu agro, às nascentes e torre de captação da água de Alcabideque, às villae e museus do Rabaçal e Santiago da Guarda, e à estrada romana que ligava Lisboa (Olisipo) a Braga (Bracara Augusta). Com o mesmo bilhete, beneficiando de significativo desconto, o visitante pode percorrrer todo o circuito turístico e usufruir de outros patrimónios que a paisagem humanizada oferece: monumentos naturais da morfologia cársica, relíquias botânicas como os imensos carvalhais e azinhais onde florescem orquídeas e lírios, uma rede de castelos medievais, peças notáveis de etnografia e da arquitectura vernácula...

     O território de Conimbriga
    O espaço urbano do oppidum de Conimbriga é bem conhecido mas que sabemos da extensão rural que ele administrava? Não há textos que o digam nem no terreno se encontraram marcos nomeando fronteiras.

    Só a observação dos acidentes geográficos, conjugados com os vestígios arqueológicos da região, incluindo os traços de cadastros romanos – que os especialistas sabem reconhecer – permite formular algumas hipóteses.

    As imediações do Mondego na sua margem esquerda, serviam de limite setentrional. A leste, a Serra da Lousã aparece como outro limite natural.

    A oeste, a linha de costa pode imaginar-se como fronteira óbvia, embora recentemente o curso do Anços tenha sido apontado como delimitação provável; com efeito, há por essa linha até ao Mondego, uma partição natural do terreno; a reforçar a hipótese, aduz-se a presença, em Soure, de um marco miliário seguramente relacionado com a estrada Olisipo-Collipo-Conimbriga e que bem poderia demarcar dois territórios. Todavia, se assim fosse, as terras que daí se estendem até ao mar ficariam terras de ninguém; ainda que pouco ou nada habitadas, devido a sua natureza pantanosa, o mais provável é que integrassem o território conimbricense.

    A sul, seriam as Serras de Sicó e Alvaiázere a separar as cividades de Collipo (S. Sebastião do Freixo) e Sellium (Tomar) numa linha que grosseiramente passaria por entre Monte Real e Monte Redondo, Santiago de Litém e Rego da Murta.

    Há poucos anos, deu-se atenção devida e sábia a uma pedra inscrita que se achava, à vista de todos, inserta na torre do paço dos Castelo-Melhor, em Santiago da Guarda. Nela se diz que (o lugar) se encontrava sujeito ao pagamento de impostos ao município vizinho. Assim parecia resolvida a questão da fronteira entre Conimbriga e Sellium; porém, estando a pedra fora de contexto arqueológico, não constitui prova irrefutável e, em termos geográficos, o lugar não parece o mais adequado a uma fronteira.

    Deste modo, sem limites precisos, se nos apresenta hoje o território cuja sede administrativa era Conimbriga. Todavia, dele se apura o bastante para sabermos que basicamente era ocupado pelas terras de Sicó.

    Das suas culturas, baseadas na trilogia –cereal, vinho, azeite; dos seus rebanhos de cabras e ovelhas; da extracção dos calcários e das argilas abundantes e diversificadas; das florestas cerradas cuja madeira era indispensável às indústrias e às comodidades de uma sociedade evoluída, se alimentaram as fortunas que na cidade romana deixaram tantos sinais de riqueza.

    Conhecendo a geografia da região e a morfologia do lugar, compreende-se melhor como, durante a Idade do Ferro, Conimbriga se impôs as comunidades que habitavam em redor. Igualmente se percebe por que os romanos a escolheram para capital de civitas e cidade viária.

    Pela mata da Bufarda chegava a estrada que a ligava a Olisipo, passando por Sellium; e bifurcando-se por alturas de Alvaiázere, servia, a leste, as terras baixas de Chão de Couce e do Dueça e, do lado oposto, as povoações da serra.

    Pelo poente, dava entrada a outra via que, partindo também de Olisipo, tomava o caminho de Collipo, vinha a Soure, atravessava o rio dos Mouros, sobre ponte de que apenas restam vestígios, e subia a ladeira de Condeixa-a-Velha.

    É óbvio que quem vinha do norte ou das Beiras para qualquer terra do sul, passava obrigatoriamente por Conimbriga, tornando-a assim uma das cidades mais frequentadas da Lusitânia.

    Letreiro romano

    Vista geral da casa de Cantaber

    Cabrito e arroz doce

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