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Do primeiro contacto com as terras de Sicó, fica-nos a impressão de estarmos perante um deserto em termos de vida animal. É que séculos de persistente ocupação humana empenhada em obter, localmente, grande parte do seu sustento, reduziu de modo significativo a diversidade faunística que potencialmente o meio pode albergar. Com o advento das armas de fogo, o confronto entre o homem e as espécies selvagens tornou-se desleal e resultou numa hecatombe.
Por outro lado, o declínio das actividades agrícolas tradicionais e o abandono de largas parcelas de terra tem conduzido ao desaparecimento daquelas espécies oportunistas que buscavam alimento nas culturas.
Hoje aproveitando as inacessibilidades naturais, entrincheirados nos últimos redutos de um coberto vegetal quase desaparecido, tirando partido de afloramentos calcários minados por uma miríade de pequenos buracos, aproveitando a liberdade dos céus ou em movimentos de relâmpago por entre os afloramentos rochosos subsistem aqui e ali os herdeiros de comunidades quase extintas. É um desafio a descoberta e um teste a capacidade de atenção do visitante.
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