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O Maciço de Sicó deve grande parte das suas características morfológicas, paisagísticas e ambientais a presença de rochas calcárias e aos processos de evolução cársica do relevo.
Do ponto de vista geológico, desenvolve-se em rochas carbonatadas jurássicas, verificando-se a sobreposição de calcários dolomíticos (Liásico inferior), calcários margosos e margas (Liásico médio e superior), calcários (Dogger) e, novamente, calcários margosos (Malm). Esta sobreposição litológica, e a complexa tectónica que afectou as rochas calcárias, determinam a compartimentação interna do relevo podendo, em traços gerais, distinguir-se um conjunto de colinas dolomíticas que, a oriente, se desenvolvem pelos 300 metros de altitude. São as depressões calcomargosas, das quais a principal será a do Rabaçal, drenada pelo curso superior do rio dos Mouros e, finalmente, mais a ocidente, as serras e planaltos calcários propriamente ditos que ocupam a maior parte da área.
Nesta última unidade morfológica, distinguem-se dois grandes blocos em que, graças a tectónica quebradiça, o relevo se eleva progressivamente em direcção a sul. O bloco mais extenso, o ocidental, inicia-se nas proximidades de Condeixa, num conjunto de pequenas serras (Avessada, Ponte, Alcôncere, Cruto e Circo) cuja altura máxima é de 406 metros; estende-se pela imponente Serra do Rabaçal onde se atingem já os 532 metros e, uma vez ultrapassado o Planalto de Degracias Alvorge, com cotas que rondam os 300 metros, vai culminar nas imediações de Pombal com os 553 metros do cimo da Serra de Sicó. No bloco oriental, que corresponde a uma estreita faixa meridiana, as cotas passam dos 347 metros do Castelo do Sobral para os 447 metros da Serra de Mouro, os 533 metros da Serra dos Ariques e os 618 metros da Serra de Alvaiázere cujo vértice geodésico corresponde ao ponto mais elevado de todo o maciço.
Para além das maiores altitudes e do maior vigor e contraste das formas é também nesta unidade que se encontram as paisagens mais agrestes e impressionantes, aquelas que se associam ao modo de evolução cársica do relevo. Com efeito, a presença da rocha calcária, permeável em grande e facilmente solúvel na água, condiciona de modo bem visível a morfologia geral e de pormenor, dando origem a belas e, por vezes, vigorosas formas cársicas de superfície: lapiás, dolinas, grandes depressões, canhões fluviocársicos... Por sua vez, as águas pluviais, que rapidamente se infiltram à superfície para atingirem as áreas baixas marginais onde brotam em espectaculares exsurgências, vão escavando o interior da massa calcária, criando uma rede bem desenvolvida de galerias, hoje já relativamente conhecida através do meritório trabalho dos vários grupos que, sobretudo a partir dos anos 40, tem trabalhado e divulgado o valioso património espeleológico desta área.
A paisagem assume com frequência um carácter selvagem, em que a rocha nua e as vertentes íngremes e pedregosas se impõem. A falta de água na superfície e a escassez e o carácter descontínuo dos solos condicionam o desenvolvimento da vegetação natural e as próprias actividades humanas mais tradicionais, como são as agrícolas. A elas está associada a pastorícia de gado caprino e ovino em pequenos rebanhos que regularmente percorrem os caminhos serranos e questão na origem do queijo do Rabaçal um dos mais prestigiados produtos que é também uma das principais riquezas económicas locais.
No entanto, o modo como decorreu a história geológica da região e, sobretudo, o facto de, pelo menos parcialmente, o maciço ter sido recoberto pelos Arenitos de Carrascal (Cretácico inferior) dos quais se foi, depois, diferencialmente despindo à medida que se fazia o levantamento das serras, implica uma clara distinção entre dois tipos de paisagem.
Nos sectores de carso exumado, ela revela-se em toda a sua grandiosidade selvagem: rocha nua, perfurada e lavrada em campos de lapiás; vertentes escarpadas, a que as buracas e as escombreiras de gravidade aumentam a espectacularidade; existência frequente de lapas e algares que estabelecem a comunicação entre a superfície e as galerias interiores. Marcas harmoniosamente inseridas nesta paisagem pétrea suo os muros e os montículos de pedra solta, os moroiços, ligados à tarefa de despedrega dos campos para a magra agricultura de sequeiro que aqui se pratica ou praticou até tempos muito recentes, os arrifes, que armam os socalcos e os peais, pequenos muretes que sustentam as oliveiras nas encostas.
Nos sectores em que a exumação do carso não se efectuou totalmente, como acontece com a maior parte do Planalto de Degracias-Alvorge, embora estejam presentes algumas formas cársicas de grandes dimensões como são as depressões de tipo uvala de Ramalheira e do Alvorge, a presença das coberturas gresosas, ainda que não permita a retenção superficial da água que continua a faltar é responsável por um maior desenvolvimento da cobertura vegetal arbórea e por um aproveitamento agrícola dos solos muito mais significativo. Embora a paisagem se apresente basicamente marcada por processos cársicos, isso retira-lhe grande parte da sua monumentalidade.
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